quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Khyméia

Alquimia é uma palavra derivada do árabe al-kimia, que por sua vez originou-se do grego khymeia, que significava: ‘mistura de vários ingredientes’.
Na realidade a origem da palavra é incerta, sobretudo a raiz chem, ou khim de onde deriva também a palavra Química.
Embora seja fixado o séc. XIII como o do nascimento da Alquimia clássica, ela já era praticada desde a Antigüidade, entre os sumérios, e também na China, na Grécia, na Índia, e na Arábia, sempre envolvida em mistérios.
A relação da Alquimia com a Química, uma série de operações oriundas não só Alquimiadela como de épocas anteriores, quando já se praticava a Metalurgiametalurgia, permanecem até hoje na Química empírica, como manipulações que envolvem aquecimento, fusão, extração, destilação, sublimação, filtração etc.
Metais como ouro, prata, cobre, chumbo, ferro e estanho eram conhecidos e trabalhados antes da época da Alquimia. O mercúrio — metal líquido que provavelmente foi descoberto por volta de 300 a.C. foi bastante utilizado pelos alquimistas, assim como o elemento enxofre, que já era conhecido desde a Pré-História e foi utilizado nas primeiras operações metalúrgicas.
Os alquimistas também descobriram e prepararam novos compostos, resultados de reações entre metais e sais de cobre e ferro, que denominaram vitríolos (designação comum de vários sulfatos), alumes (sulfatos duplos hidratados de potássio e amônio), cloretos de sódio e amônio e os ácidos minerais, clorídrico, nítrico e sulfúrico.
Alquimistas famosos foram muitos, mas vamos mencionar apenas três.
O primeiro é Nicolas Flamel (1330-1418). Conta a história que Flamel sonhou com um livro misterioso, conseguiu encontrá-lo e decifrou sua linguagem criptografada com a ajuda de um mestre judeu, que conhecia os escritos místicos hebreus da Kabala. Com auxílio desse livro, Flamel conseguiu enganar a si próprio e aos outros, supondo ter obtido ouro a partir de metais menos nobres, e assim obteve glória e riqueza, passando à posteridade.
Outro famoso alquimista foi Paracelso (1494-1541), cujo nome verdadeiro era Phillipus Aureolus Thephrastus Bombast von Hohenmeim, que também era médico. Paracelso foi um grande preparador de remédios baseados em crenças populares e produtos químicos, tendo iniciado a aplicação da química na medicina.
O terceiro alquimista a ser citado é uma mulher, sem dúvida a figura feminina mais interessante da Alquimia: a controvertida Maria, a Judia. A época em que viveu e seus feitos estão envoltos em dúvidas e mistérios, mas é certo que existiu, tantas são as menções. Teriam sido várias Marias?
Alguns a chamam de Maria, a Profetisa, ou Miriam, e seria irmã do próprio Moisés bíblico. Outros a consideram como contemporânea do alquimista judeu Theófilo ou, ainda, a situam na época de Aristóteles, uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo condiz bastante com as idéias alquimistas de Maria,segundo Aristóteles, o enxofre era considerado a expressão do elemento fogo, e Maria o tomou como base para os principais processos que estudou.
O enxofre mencionado por ela, em frases sempre misteriosas, era "uma pedra que não é pedra" e "tão comum que ninguém a consegue identificar". Conta a Profetisa que Deus lhe revelou uma maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transmutação, ou transformação, de metais menos nobres em ouro.
Dentre as invenções de Maria estão o que até hoje chamamos de banho-maria, dois equipamentos de destilação, com duas ou três saídas para destilados — o dibikos e o tribikos — e um aparelho para sublimação, sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico.
A Alquimia foi praticada até o séc. XVII, quando tem início a chamada Química Moderna, com as características de ciência, observação, experimentação, repetição e confirmação dos resultados dos experimentos, identificação e formulação de leis inicialmente as Leis Ponderais das reações químicas, com Lavoisier, Proust, Dalton.